O alter ego de uma pessoa, em uma análise estrita, é um ‘outro eu’,
uma personalidade alternativa de alguém. Esta expressão provém do latim
‘alter’, que significa outro, ou seja, um eu diferente. Pode-se
encontrar este termo tanto na literatura, nas interpretações de obras literárias, quanto na psicologia.
Literariamente é possível definir o alterego como a identidade oculta de um ser fictício ou como um artifício do autor de um livro
para se revelar ao leitor na pele de um personagem, de forma discreta e
indireta. Em geral ele apresenta muitas das características de seu
criador, as quais podem ser descobertas em uma análise mais profunda.
Psicologicamente esta expressão refere-se a um eu que jaz na inconsciência. Este conceito está relacionado
à face secreta, ao ângulo desconhecido da identidade de uma pessoa,
enquanto o ego, em contraposição, é definido como a fração rasa da
mente, povoada por idéias, raciocínios, emoções.
Quando as outras pessoas olham para nós, percebem através dos
sentidos o que somos, o que nos fraciona, nos divide, pois aí é possível
encontrar a personalidade e também aquilo que a pessoa não revela sobre
si mesma, ou seja, seu eu oculto, a persona alternativa ou o alterego.
Todos devem, portanto, a cada momento, tentar se construir novamente,
unir suas várias faces, e edificar um todo. Onde está então o alterego,
entre estas várias divisões da psique? Justamente no mais profundo do
ser, sendo normalmente a face na qual as outras pessoas realmente
confiam.
Várias esferas científicas procuram compreender esta instância
psíquica. A física, a biologia, a teologia, a filosofia e a psicologia
já realizaram alguns avanços neste sentido, levantando sempre a eterna
questão abordada pelo Homem ao longo da História – quem somos nós?